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Quem resiste ao delicioso momento da compra de ovos da páscoa? A psicóloga e autora do livro “As Armadilhas do Consumo”, faz um alerta aos consumidores que se rendem a tentação desse momento e se endividam para satisfazer os desejos dos filhos e familiares. É preciso ter cuidado para não exagerar nas compras e acabar devendo até a páscoa do ano que vem.

Por Márcia Tolotti
A páscoa representa um momento de passagem para os gregos, de renascimento na cultura judaica e de fertilidade para os egípcios. Mas, na sociedade em geral, representa um domingo recheado com muitos doces, inúmeros ovos de chocolate e algumas dívidas no bolso. Dívidas financeiras por parte daqueles que comprarão parceladamente ou utilizarão algum tipo de crédito e, dívidas afetivas, para os pais que porventura não conseguirem comprar nada. Estes, muito provavelmente, serão invadidos por um sentimento de dívida para com seus filhos.Mas afinal, o que é Páscoa? Basta entrarmos em um supermercado, para descobrirmos os segredos da toca do coelho. Corredores cuidadosamente construídos com ovos formam um túnel – e não há como fugir deles – que combinados com o fantástico cheiro de chocolate e, com alegres coelhos espalhados por todos os lados, proporcionam uma incrível experiência sensorial. Atualmente, comprar não é mais um simples ato, mas uma experiência adquirida. A visão, o olfato e o tato agarram o consumidor com sutis e poderosos tentáculos.

E assim, mais do que vida e fertilidade, a Páscoa parece se transformar na renovação de algum endividamento. Em 2008, estabelecimentos comerciais ofereceram cestas de Páscoa com pagamento em 15 parcelas. Quem usufruiu de tamanha “facilidade”, ainda não quitou os ovos adquiridos em 2008. Mas quem pode condenar um ato de indulgência de um pai diante do pedido – silencioso ou manifesto – de um filho?

Ceder diante de uma demanda, não poderá fazer mal. Infelizmente, neste caso, faz sim. Isso não significa deixar de comemorar, mas o ideal seria, em primeiro lugar, compartilhar o significado essencial e genuíno da Páscoa. Em segundo lugar, transformar este momento no exercício prático do consumo saudável e sustentável. Por exemplo, considerar a pesquisa realizada pela FGV: “os ovos de Páscoa tiveram um aumento de preço de 12%, quando comparado com 2008. Em Minas Gerais o aumento foi o mais expressivo, enquanto o Rio Grande do Sul foi o Estado menos atingido pela elevação do preço”. Vale lembrar que a inflação no mesmo período foi de 6,24%.Considerar informações, conversar com os filhos, buscar alternativas menos onerosas, transformar dados estatísticos em visão crítica e motivar para escolhas equilibradas, pode ser a verdadeira renovação da Páscoa em 2011.

Boa Páscoa!

Site: Expo Money
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